Após a bebedeira, peguei a bicicleta e desci correndo a rua em direção a casa de Zhu.
Não encontrei mais a carteira. Não lembrava onde a havia deixado.
Tinha misturado vinho e cerveja, o que sempre me faz sentir um desagradável gosto de vômito no céu da boca.
O choque elétrico me deixou tonto, mas ainda estou aqui, ouvindo ecos e microfonia provenientes do andar de cima.
Não encontrei mais a carteira. Não lembrava onde a havia deixado.
Tinha misturado vinho e cerveja, o que sempre me faz sentir um desagradável gosto de vômito no céu da boca.
O choque elétrico me deixou tonto, mas ainda estou aqui, ouvindo ecos e microfonia provenientes do andar de cima.
Agora nós não existimos mais um para o outro.
Agora que a tarde se foi e se transformou, de relance, nesta noite fria e tenebrosa
E as pessoas passam apressadas lá embaixo na rua, cabisbaixas, levando pão para o cãozinho que late.
Raios de lesmas furta-cores e mofo no braço do sofá, onde eu fiquei por mais de vinte anos te esperando, olhando para a vidraça quebrada, ouvindo a canção que a goteira fazia, caindo no balde, ao lado da tevê de 20 polegadas.
Vejo agora apenas pegadas de pato de um lado ao outro no chão da sala.
Agora que a tarde se foi e se transformou, de relance, nesta noite fria e tenebrosa
E as pessoas passam apressadas lá embaixo na rua, cabisbaixas, levando pão para o cãozinho que late.
Raios de lesmas furta-cores e mofo no braço do sofá, onde eu fiquei por mais de vinte anos te esperando, olhando para a vidraça quebrada, ouvindo a canção que a goteira fazia, caindo no balde, ao lado da tevê de 20 polegadas.
Vejo agora apenas pegadas de pato de um lado ao outro no chão da sala.
Pela manhã, acordei com o pau duro e morrendo de vontade de urinar.
Um fio gosmento de baba saía pelo canto esquerdo da minha boca e, escorrendo entre o rosto e o travesseiro, ia para debaixo do meu olho, o que por, segundos, me fez imaginar aterrorizado que estivesse com um olho furado.
Em seguida ouvi passos de soldados americanos marchando na rua, obedecendo as ordens de um comandante neurótico, que gritava com voz afeminada: “Este é o pelotão dos homens sem cérebro. Marchem, em direção à casa de Zhu!”.
Um fio gosmento de baba saía pelo canto esquerdo da minha boca e, escorrendo entre o rosto e o travesseiro, ia para debaixo do meu olho, o que por, segundos, me fez imaginar aterrorizado que estivesse com um olho furado.
Em seguida ouvi passos de soldados americanos marchando na rua, obedecendo as ordens de um comandante neurótico, que gritava com voz afeminada: “Este é o pelotão dos homens sem cérebro. Marchem, em direção à casa de Zhu!”.
Mais tarde, em frente de casa, quando carpia a grama da calçada, fui interpelado por um chukro careca, tipo Lex Luthor do seriado SmallVille, que se aproximou num Cadillac e disse ser um TJ (Testemunhas de Jeová), e que queria falar comigo sobre um “Novo Mundo”. Minha vontade naquele momento inoportuno foi dar-lhe uma enxadada no pé e arrancar seu dedão.
Agora são os Batistas da Rua Três que me torturam com um culto ao vivo às nove da noite.
Tocam uma bateria horrivelmente desafinada.
Um magro barbudo, com voz de Tim Maia, canta uma canção esquizofrênica, que fala de Céu e Terra Prometida.
Agora são os Batistas da Rua Três que me torturam com um culto ao vivo às nove da noite.
Tocam uma bateria horrivelmente desafinada.
Um magro barbudo, com voz de Tim Maia, canta uma canção esquizofrênica, que fala de Céu e Terra Prometida.
Lembrei-me de ter visto no jornal das oito o locutor de olhos pretos e pequenos falando sobre um ataque israelense contra “terroristas” palestinos na Faixa de Gaza. No Iraque, uma explosão em seqüência de carros bomba matou 68 pessoas, dentre as quais dezessete crianças, em dois ônibus escolares.
Em meio às vozes em êxtase, outro crente com voz de Gabriel Pensador grita um aleluia mais alto e inflamado. Ninguém me ouve batendo no portão. Fico por quase quinze minutos trancado do lado de fora da minha própria casa. Apenas a vendedora de Yakult me diz: “Olá, tudo bem?” Não, tudo mal.
Filhos ébrios do Pinto, por que não vêm a mim. Pessoas amarradas que me amam, por que vêem em mim apenas o leproso que parte?
Para mim e em mim, um grito seco, rasgado no ar.
Crianças morrendo como ratos.
Fim dos tempos e dos relógios quasares.
Minha língua curta limpa o córtex da sua alma
E canivetes enferrujados perfuram os olhos de bonecos Max Steel.
Imaginações presas na garganta, vivendo sob a pele do pinto
Aguardando o momento oportuno de serem ejaculadas para além da Lua
Através da moldura de ferro enfeitada com papel alumínio
E xícaras de café jogadas sobre a mesa da sala
Eu tomo Fanta e vou embora.
Crianças morrendo como ratos.
Fim dos tempos e dos relógios quasares.
Minha língua curta limpa o córtex da sua alma
E canivetes enferrujados perfuram os olhos de bonecos Max Steel.
Imaginações presas na garganta, vivendo sob a pele do pinto
Aguardando o momento oportuno de serem ejaculadas para além da Lua
Através da moldura de ferro enfeitada com papel alumínio
E xícaras de café jogadas sobre a mesa da sala
Eu tomo Fanta e vou embora.
As pessoas estão ao meu lado com seus filhos doentes no colo, esperando a consulta.
Não sei mais como lhes mentir.
Na lápide cromada, estacionando trens que choram
Aproximo-me da redoma de vidro
E, olhando para os pássaros pretos no céu, penso se um dia estarei lá com eles.
Então, ranjo os dentes, trancado em minha prisão solitária
grr... grr...
By Edward Dement / outubro de 1984 @
Não sei mais como lhes mentir.
Na lápide cromada, estacionando trens que choram
Aproximo-me da redoma de vidro
E, olhando para os pássaros pretos no céu, penso se um dia estarei lá com eles.
Então, ranjo os dentes, trancado em minha prisão solitária
grr... grr...
By Edward Dement / outubro de 1984 @
