Ontem novamente sonhei com aquele sonho tonto e imbecil. Isso mesmo. O sonho recorrente. Há quatro anos venho tendo semanalmente os mesmos pesadelos bizarros, que, praticamente, refletem situações do meu cotidiano desorganizado. Sonhos em forma de salsicha, que, na verdade são charadas que se repetem; ora, aqui, ora acolá, sempre com um mesmo cenário e arranjo; ora com outro cenário completamente diferente e os mesmos personagens, usando as mesmas roupas e maquiagem, apenas em tons pastéis diferentes. Por que querer tanto? Se nada faz mais sentido? Essa era a mensagem.
Assim, logo na terceira semana procurei um psicólogo de confiança, a fim de lhe narrar aquelas agruras que vinham me custando noites de sono e descanso.
Já na primeira consulta, aos 44 anos de idade, num sábado à tarde. Desci do trólebus numa passarela praticamente em frente ao consultório, um sobrado antigo e estreito, com paredes rachadas e recobertas por musgos cabeludos, pintado apenas por fora. De forma que, descendo ali, fiquei por alguns instantes pensando, embaixo daquela placa de madeira de cor creme com filetes em azul-marinho, onde estava escrito Dr. Newton. Permaneci imóvel por mais três ou quatro minutos, e, só depois de respirar, criei coragem e subi as escadas que levavam àquela pequena sala branca em forma de batata, ou ovalada, não sei mais, já totalmente preparada, no alto e nos fundos do imóvel, onde parecia sempre sentir um forte cheiro de cânfora, que nunca soube ao certo de onde vinha.
Já na primeira consulta, aos 44 anos de idade, num sábado à tarde. Desci do trólebus numa passarela praticamente em frente ao consultório, um sobrado antigo e estreito, com paredes rachadas e recobertas por musgos cabeludos, pintado apenas por fora. De forma que, descendo ali, fiquei por alguns instantes pensando, embaixo daquela placa de madeira de cor creme com filetes em azul-marinho, onde estava escrito Dr. Newton. Permaneci imóvel por mais três ou quatro minutos, e, só depois de respirar, criei coragem e subi as escadas que levavam àquela pequena sala branca em forma de batata, ou ovalada, não sei mais, já totalmente preparada, no alto e nos fundos do imóvel, onde parecia sempre sentir um forte cheiro de cânfora, que nunca soube ao certo de onde vinha.
A secretária era um broto legal, desses do tipo colegial-vegetal, que usam saias e ficam mordendo a ponta do lápis, comendo a borracha, revirando os olhos sem nenhum motivo aparente...
Então eu lhe falei pausadamente sobre aquele senhor mudo de origem oriental que sempre via perambulando pelas ruas daqueles sonhos esquisitos. Um senhor de compleição física raquítica, de cabelos ralos, com uma barba longa, loira, já desbotada pelo tempo. Ao que, sussurrando, e quase em tom de desprezo, ele me perguntava:
O senhor se sente seguro aqui?
- Sinceramente?
...Não.
O senhor se sente seguro aqui?
- Sinceramente?
...Não.
